Eduardo Bueno
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01/09/2010

Não como, não fumo e sou feliz
Não devo comer doces. Ou devo comer doces moderadamente. Nem todo dia, muito menos toda noite, antes de dormir. Doce assim sacia a vontade, mas acumula protuberâncias acima da cintura, de preferência, nas dobras que ficam ao lado e logo se manifestam.

"Coma uma fruta!", me ensinam. Como pêra-pau, que nesta época de outono estão doces, mas ainda rijas, exigindo uma dentada firme e a boca cheia. Uma banana às mordidas, quatro ao todo. "Coma melancia que vem do Norte", me dizem, "coma uva no cacho, laranja, bergamota (nunca comi mexerica), mamão papaia e o outro, mais pescoçudo". Não será por falta de frutas que não diminuo a ingestão de doces.

E bebo água. Antes que insistissem na TV que era aconselhável para o homem moderno, das cidades empoeiradas e lixentas, beber dois litros de água já bebia 2,5 litros. Na cama, no café da manhã, no gabinete, no trabalho, na redação, na volta para casa, no cinema, no hall do Theatro São Pedro, de pé na frente de casa, em qualquer lugar. Não sinto a barriga volumosa, nem aumenta a descarga de urina ou a insistência de ir ao banheiro (esse eufemismo é do tempo de  criança, em casa, a minha mãe no comando das operações).

Portanto, não como tanto doce e nem exagero na bebida, senão na água sem gás, não fumo, e nem por isso sou mais feliz. Até nisso sou comedido.

 
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